__temp__ __location__
As obras de Mario de Andrade e Heitor Villa-Lobos se encontram um concerto Poucas & Boas

As obras de Mario de Andrade e Heitor Villa-Lobos se encontram um concerto Poucas & Boas

Poucas & Boas apresenta cancioneiro infantil que une a obra dos dois mestres

A epígrafe, extraída do discurso de Mario de Andrade aos formandos de 1922 do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, publicado no Correio Paulistano, em 09 de março de 1923, nos encoraja a propor uma sessão em que a obra do poeta paulista dialogue com a do compositor carioca Heitor Villa-Lobos. Nos dias 29 e 30 de agosto, sábado e domingo, no IFAN e no BAFU, o grupo vocal Poucas & Boas apresenta cancioneiro infantil que provoca o encontro entre estes dois grandes nomes da cultura brasileira: Mario de Andrade e Heitor Villa-Lobos.

poucas-boas.jpeg

Se o ethos brasílico, a alma brasileira, se funde no imenso crisol de nossa cultura em ritmos e melodias, nos parece possível entrever na palavra poética o que sempre a engendrou: musicalidade, ritmo, cadência, razão pela qual, desde os antigos, ela se presta a rituais e a solenidades.

Música e poesia se encontram. E Mario de Andrade, que percorreu este país em expedições etnográficas e culturais, no afã de encontrar algo genuinamente brasileiro, registrou a cultura popular, a gastronomia, os festejos, os cantos, o folclore e captou muito bem o quanto ele é feito de muitos brasis.

O mesmo espírito de renovação cultural animou também Villa-Lobos. Ambos se imbuíram do desejo de valorizar a arte brasileira buscando suas raízes autênticas, algo que vinha da miscigenação do indígena, do africano, do popular urbano e rural. É lícito afirmar que Villa-Lobos transformou o folclore em matéria-prima de suas composições.

O maestro carioca preservou a tradição oral e a identidade musical do país. As cantigas de roda brasileiras, o cotidiano, as brincadeiras se tornaram clássicos de nossa cultura. É inegável o legado de Villa-Lobos na educação musical, sobretudo por aproximar o público infantil da música clássica e das tradições brasileiras.

Os dois foram os protagonistas da Semana de 22 e almejarem delinear os caminhos de uma linguagem artística brasileira, impregnada de imagens de Pátria, natureza e ancestralidade. Em que pesem as diferenças ideológicas entre eles, nos legaram uma cartilha insuperável, jamais obsoleta, a de que a arte é mesmo o lugar para dirimir distâncias, desajustes sociais e emoções desequilibradas - como as que corroem nossos dias - sobretudo para salvar nossa “magnífica humanidade.” Visando ao cultivo de nosso patrimônio histórico e cultural, a atividade conjuga canções infantis de Villa-Lobos e os poemas de Mario de Andrade. 

Dani Mattos é regente, educadora musical, cantora e pesquisadora, formada em educação artística pela Faculdade Santa Marcelina.  Organiza rodas de samba e é autora de poemas, esquetes de radionovelas e curiosidades sobre a cidade de São Paulo e a época de ouro da MPB no rádio. Criou o sarau poético-musical “Vinícius, o poeta amador”, sobre vida e obra de Vinícius de Moraes e artistas contemporâneos influenciados por ele. Está à frente de três grupos musicais o Poucas e Boas, o Toque de Bambas e o Dani Mattos Quartet. É idealizadora do projeto Villa-Lobos para Todos, que realiza oficinas e residências artísticas em São Paulo até o fim de agosto.

Serviço:
Poucas & Boas sob regência de Dani Mattos
 

IPHAN
Sábado, 29 de agosto, 10h30
IPHAN - Av. Angélica, n.º 626, Santa Cecília
ENTRADA GRATUITA

BAFU
Domingo, 30 de agosto, às 17h30
BAFU - Rua Barao de Taui, 240, Santa Cecília
ENTRADA GRATUITA

Denis Souza
Sua experiencia neste site será melhorada permitindo cookies. Saiba Mais